Nesses últimos 10 anos, desde que entrei pras Ciências Sociais e me reconheço como tal - afinal, como diria Weber, é preciso se reconhecer como perncente para fazer parte do tipo ideal - tenho que pensar no que digo, não posso NUNCA parecer burra, medíocre, não posso nem me dar ao "luxo" de ser normal. Posso dizer que assisto novela, desde que isso seja algo que mostre o quanto eu tenho personalidade forte. Posso dizer que sou religiosa, mas porque minha religião é o candomblé, o que já quase se caracteriza como uma contra-religião. Tenho que estar sempre sabendo o que está acontecendo no mundo, e o pior: ter uma opinião sobre isso.
Isso é muito cansativo, mas ontem, quando eu estava dando minha aulinha de sociologia, fui confrontada por um aluno. Ele não disse nada que me ofendesse, não baixou o nível ou coisa assim, mas, em meio ao meu raciocínio, ele sai com uma pergunta "cabeluda", que pouco tinha a ver com o que eu estava falando, mas era, claramente, uma maneira de "me pegar", de poder mostrar pro resto da sala que a professora não é "tão inteligente assim".
E o pior: eu não sabia a resposta! Enrolei... usei meus conhecimentos de geografia e história pra dizer que a pergunta era complexa e que teríamos que pensar em outros contextos socio-econômicos, e o cara se deu por satisfeito, com olhar tristonho por não ter me pego. E eu não fazia idéia do que eu tinha respondido. No final da aula, corri pro oráculo - google - e fiz uma breve pesquisa pra saber do que se tratava a pergunta do aluno e ví que eu tinha respondido certo....
Respirei aliviada e agradeci a esses 10 anos e aos tantos mestres das Ciências Sociais que nunca me deram a liberdade de ser mediana, de ser medíocre. É sempre bom poder sair por cima da carne fresca!
Mantra do dia: sempre tente olhar os outros de cima, mesmo que para isso seja necessário usar plataformas!





