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E se vai mais um bom

domingo, 16 de maio de 2010

O dia começou com a notícia da morte de Ronnie James Dio, o Dio do Black Sabbath.

Triste por mim, pelo meu irmão - fã de Dio -, e pelo heavy metal, do qual fui "seguidora" por muitos anos. E confesso que meu corpo ainda responde quando escuto uma guitarra virtuosa ou um vocal num grito agudo.

E se vai mais um bom....

E o Rio de Janeiro, continua?...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização"
("Futuros Amantes" - Chico Buarque)

Cidade submersa... sábios em vão... ecos... fragmentos... vestígios de estranha civilização!...
E, como sempre, as palavras do Chico fazem todo o sentido... Dessa vez, infelizmente!!!

12 meses depois...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Exatamente um ano atrás eu dava de cara com esses "balcones", essas flores e uma das primaveras mais lindas da minha vida...




No hace falta que entrometas las manos en el bolso. Sabes que por fin haremos ese viaje juntos. Ni siquiera es necesario que busques en el fondo algún espejo, que retires tu mirada y dejes de acariciarme desde el otro lado de la mesa. Sabes que aún ajusto el cuello de mi camisa antes de salir, que aún conservo el protocolo de quedar en la esquina del teatro, de pasearnos La Latina juntos.
Nada es rojo, cariño. Tampoco es primavera pese a los almendros.
No hace falta que ordenes las monedas que trae el camarero tras pagarle, sky line de metal sobre la mesa recién salido de tus manos.
No es necesario que abras la cartera cuando todo lo mío, tú, es tuyo.
Magu Duarte - meu español querido
Publicado originalmente em Somos La Latina

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Só pra provar que "papai noel filho da puta" é a música de Natal da minha vida, algumas horas depois que eu publiquei o post abaixo, meu irmão me manda um email com o link da música desejando um feliz natal com toda a irmandade que invade nossos corações!

Os Alves podem estar do outro lado do mundo, mas não mudam sua essência, rs...

E sendo assim, minha avó espanhola deve estar chamando o Papai Noel de marrano, miserável e outras delicadezas que minha avó gostava de dizer.
Alves é sempre Alves!...

Papai Noel filho da puta 2009

Eu e minha avó espanhola escutavamos essa música todos os dias 24/12...
Era ótimo: depois que ela escutava o primeiro palavrão, ela começava a soltar vários palavrões, em alto e bom portunhol.

Hoje ela não esta mais aqui, assim como minha avó italiana e meu irmão, que está longe. E é só deles que eu sinto falta...



Mas essa continua sendo a minha música de natal.... sempre vou me lembrar deles e sempre vou pensar que o Papai Noel é um grande filho da puta e acho que nunca vou gostar de natal!!!!
Pra quem gosta: bom natal.
Pra quem não gosta: encham a cara, assim fica mais fácil chegar no dia 26/12!!!

Música para o silêncio

domingo, 29 de novembro de 2009



(Eu ando tão cansada...)

Adeus antropológico

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ficamos vivendo nossas vidinhas esperando por momentos extraordinários, com a impressão de que muitas vezes nada acontece. Mas as coisas vão acontecendo por mais que a gente não perceba.
E agora se foi Lévi-Strauss (não, não estou falando da marca de calças jeans!!!). Não sou do tipo de gente que não espera pela morte, que vê as coisas e pessoas como imortais, mas é muito assustador quando os bons se vão. E neste ano já tinha ído Pina Baush... O antropólogo e velhinho ia aniversariar no final do mês. É, é uma pena!!!!

Em 1999, quando entrei no curso de Ciências Sociais, nunca imaginava que esses "homens-livro" mudariam tanto minha vida. Nunca fui muito fã dos estudos sobre índios, mas Lévi-Strauss é fundamental! Fundamental para entender as funções sociológicas dos mitos, as relações de parentesco, o quanto é triste nossos trópicos e até pra entender Caetano Veloso quando ele diz que a Baia de Guanabara "pareceu-lhe uma boca banguela", na música "Estrangeiro".

Não consigo entender quem passa pelas ciências sociais e não se encanta pela antropologia... eu escolhi seguir com os estudos em política, mas até hoje a antropologia é aquela tia bacana que me explica as coisas de uma maneira mais próxima do que explicam os pais.

“O antropólogo é o astrônomo das ciências sociais: ele está encarregado de descobrir um sentido para as configurações muito diferentes, por sua ordem de grandeza e seu afastamento, das que estão imediatamente próximas do observador.” - “Anthropologie Structurale”, 1967.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Estou de volta....
De volta às coisas boas e ruins. Mas parece que o foco de luz está mirando só as ruins... Paciência!

É preciso ter paciência com a vida, com as pessoas e comigo mesma.
Sei que vou me acostumar, como sempre. E no final vou até achar legal... mas com certeza nunca mais vou me esquecer de nada, de nenhum minuto, de nenhuma risada, de nenhuma lágrima.
Todas as pessoas estarão sempre comigo, mesmo aquelas que eu nunca soube o nome, mas que fizeram toda a diferença.
Tanta coisa mudou....

Paciência com a nova vida cheia de coisas velhas.
Paciência com o tempo que tarda a passar.
Paciência com minha bagunça interior e exterior....
paciência com meu cachorro.

Mas sei que nada será como antes.... sei que eu não sou como antes.... voltei pra mesma vida, mas a encontrei totalmente fora de lugar. E eu já não sei mais onde eu quero estar.
Não sabia mais qual era minha gaveta de calcinhas!!!!!

Falando baixo, falando pouco (com algumas exceções), olhando muito, sorrindo muito, poucas risadas e escassas lágrimas. Nunca adiantou chorar... nenhum choro me poupou. Parece que não preciso mais dele. A vontade vem como um espasmo, breve e forte!

E pra quê fórmulas da juventude se me sinto mais velha? 7 anos em 7 meses.
Os trinta anos chegaram. E eu não os nego. E eu digo "sim" a tudo isso!

Em Passargada...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Banzo

s. m.
Nostalgia mortal ou patológica dos escravos negros africanos levados para longe da sua terra.

O mundo um pouco menos belo...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A dança deve ter outra razão além de simples técnica e perícia. A técnica é importante, mas é só um fundamento. Certas coisas se podem dizer com palavras, e outras com movimentos. Há instantes, porém, em que perdemos totalmente a fala, em que ficamos pasmos e perplexos, sem saber para onde ir. É aí que tem início a dança, e por razões inteiramente outras, não por razões de vaidade. Não para mostrar que os dançarinos são capazes de algo que um espectador não é. É preciso encontrar uma linguagem com palavras, com imagens, movimentos, estados de ânimo, que faça pressentir algo que está sempre presente. Esse é um saber bastante preciso. Nossos sentimentos, todos eles, são muito precisos, mas é um processo muito, muito difícil torná-los visíveis... Se eles forem nomeados muito rápido com palavras, desaparecem ou se tornam banais. Mas mesmo assim, é um saber preciso que todos temos, e a dança, a música, etc. são uma linguagem bem exata, com que se pode fazer pressentir esse saber. Não se trata de arte, tampouco de mero talento. Trata-se da vida e, portanto, de encontrar uma linguagem para a vida. E como sempre, trata-se do que ainda não é arte, mas daquilo que talvez possa se tornar arte. ”

(Pina Bausch)

O que será que será?

terça-feira, 23 de junho de 2009

É possível se acostumar com tudo?

Eu tenho pensado nisso estes dias. Se acostumar com coisas boas é fácil, mas também já me acostumei com coisas ruins. Outras vezes mudei minha vida por não poder ou não querem me acostumar.

Acostumar-se com algo é ceder a dor ou vence-la?
Acostumar-se às coisas ruins seria uma prova de adaptação ou de comodismo?

Síndrome de Édipo

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Não, essa não é nenhuma crise cheia de originalidade, é uma velha discussão já levantada por filósofos, religiosos e até mesmo as pessoas menos cultas já pararam pra perguntar: afinal, quem manda na minha vida? Eu ou uma outra força?

Destino é a ordem natural estabelecida do universo. Geralmente é concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos. O destino é muito usado para tentar explicar o absurdo dos acontecimentos existênciais (na acepção, absurdo deve ser traduzido algo não-explicável), assim também, como a responsabilidade dada as divindades para tais acontecimentos.

Livre Arbítrio é a crença que a pessoa tem o poder de escolher suas ações. Tal crença foi defendida como importante para o julgamento moral por diversas autoridades religiosas e criticada por filósofos como. A expressão costuma ter conotações objetivistas e subjetivistas. No primeiro caso indicam que a realização de uma ação por um agente não é completamente condicionada por fatores antecedentes. No segundo caso indicam a percepção que o agente tem que sua ação originou-se na sua vontade. Tal percepção é chamada algumas vezes de "experiência da liberdade".

Parte de mim, a religiosa, tenta entender a ação de outras forças na minha vida, entender os sinais, os caminhos que se abrem e se fecham. Mas a parte cientista pensa sempre no que eu posso fazer de mim mesma, minhas escolhas, minhas responsabilidades.

É claro que eu não chego a nenhuma conclusão, e assim mantenho minha postura de sempre construir meu caminho confiando que os meus deuses estão indicando meu destino.
Mas eu não deixo de sofrer. Sofro por não ter resposta, por conhecer minha ignorância. Sofro por não ter certeza de que estou fazendo o que devo fazer: aceitar os fatos.

Sofro por temer o futuro: será ele obra do destino ou dos meus atos????
Tenho medo de ter tido meus pés machucados ao nascer, maculando meus passos e ter meus olhos inevitavelmente furados por causa das minhas ações ...

A dor nos ensina? Ensina o quê?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Quando eu tinha 18 anos uma amiga estava sendo abordada por um ex-namorado que queria reatar o relacionamento passado. Lembro-me muito bem do que ela disse naquela ocasião: que as pessoas têm a tendência de esquecer as dores e guardar apenas as boas recordações de algo, o que faz com que haja sempre essa tendência de voltar ao passado.
Até hoje sou amiga desta "menina" e nunca me esqueço dessa idéia de que a nossa melancolia é fruto da incapacidade de guardar o sentimento da dor.

Uns meses atrás fui retocar minhas tatuagens. Eu já tinha tatuagem, sabia o quanto dói, mas no momento em que o tatuador começou a tatuar, de novo, pensei "Caralho! Não lembrava que isso dói tanto!". Agora, escrevendo isso, já não consigo "sentir" aquela dor, mesmo lembrando dela. Na verdade me lembro do que pensei no momento, é minha cabeça que lembra meu corpo de como é passar por mais uma sessão de agulhadas.

Comecei a pensar naquelas dores que a gente sente e que parecem mais fortes do que as passadas. Quando um amigo nos trai, quando pecebemos que aquela pessoa não era nossa amiga... Dói muito, parece que nunca sentimos dor deste tipo. Ainda chegamos a afirmar que dor de "amigo" é pior do que de "namorado". É?...
Mas quando chega ao fim um relacionamento... Quando sentimos uma dor de amor "qualquer", uma dor que parece nunca ter sido sentida. E chegamos a crer que nunca mais haverá dor igual.

É essa dor que qualifica o quão grande é esse amor partido. Se a dor é aguda, daquelas que sufoca, que explode em choro desesperado, no meio da rua, dentro do ônibus, comprando pãozinho... aí temos certeza de que o amor é tão intenso e grande e descontrolado quanto esta dor. E pensamos: nunca doeu tanto. Nunca amei tanto.
Mas os meses passam, o tempo passa, e um novo amor vem, e a regra é que ele virará outra dor - porque o amor é uma coincidência, como disse o Cazuza, não acontece sempre nem com todo mundo. E aí temos a reprise de sentimentos "inéditos".

Será que uma dor é diferente da outra, como cada amor é diferente do outro? Ou a dor é a mesma, visto que sou eu quem sinto?
A resposta não importa. Não importa como era "antes" e como será depois da dor. O que importa é o hoje, o agora. O que importa é que não adianta chorar... nada é capaz de sanar algumas dores, seja o cãozinho que se foi, o dedinho do pé que bate no canto da mesa, ou a dor da esperança que já não acorda mais conosco todas as manhãs.

Para ler ouvindo "Dores de Amores" - Zezé Motta & Luiz Melodia

Aula de português para os males da vida

quinta-feira, 2 de outubro de 2008


Metáfora: emprego de uma palavra em que a significação natural desta é substituída por outra, por virtude de relação de semelhança subentendida; sentido figurado; imagem; figura.

Eu adoro metáforas!
Mas eu gosto é das metáforas simples, quando eu posso dizer alguma coisa muito complicada usando uma bobagem como idéia. Pra mim, a metáfora nunca foi a matéria da aula de português que eu tinha que decorar porque ia cair na prova. Tinha o hipérbato, o polossíndeto, a elipse, aliteração e metonímia, mas nenhuma figura de linguagem fazia parte da minha vida. Só a metáfora.

Eu tive uma professora de literatura, a Lilian, que era genial. Ela ensinava a gente a olhar o mundo, a descobrir as coisas fora dos livros, mas junto com a beleza da poesia. Com ela aprendi amar Manuel Bandeira.
E quem não amaria um homem que consegue explicar a dor da rejeição de amar e não ser amado, desta maneira:


Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração eu tinha
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não se importava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
(Porquinho da Índia)

E foi deste jeito que entendi o que é metáfora. Porque eu já sabia como era gostar de alguém, leva-la pros "lugares mais bonitos, mais limpinhos" e esta pessoa querer mesmo é "estar debaixo do fogão". Foi assim que eu comecei a ver que a natureza - o temporal que cai na praia quando você desceu doida pra pegar Sol - é uma metáfora da vida cotidiana.

O problema é que na escola não nos ensinam em forma de poesia o quanto as metáforas da vida podem ser amargas. Ensinam para gente, como diria Drummond a "procurar bem... a poesia (inexplicável) da vida". Mas não nos ensinam o que fazer se, mesmo procurando bem, a gente não encontra-la.

Mantra do dia: a felicidade não é apenas como a plantação de feijão, que a gente cultiva para colher, mas é como o petróleo, escondida, precisando ser procurada. E não é todo mundo que a encontra!

Amor não se pede - uma declaração de amor revoltado.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Post em homenagem a um grande amigo meu.
E pra quem mais precisar se lembrar disso...

Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo.
Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump.
Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado! De qualquer país!

Mas amor não se pede!!!!!
Imagine só:
- Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso.
- Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso.
-
Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não.

Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira.
É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos.
Mas você não pode, não. Eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?

Mas amor, minha querida, não se pede. Dá raiva, eu sei.
Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto.
Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta.
Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo. Ele roubou sua leveza e agora você está vazia.
Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta.
Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa.
É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado.
É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar.
É triste lembrar como eu ria com ele.

Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa?
Ele sabe, ele sabe.

Texto de Tatiane Bernardi.

E a lembrança ainda não é passado...

sábado, 19 de julho de 2008

Encontrei este texto antigo... e mesmo que hoje minha vida esteja em outro lugar, todo ele faz tanto sentido ainda... Será que um dia será mesmo só um registro do passado?

Engraçado como a gente se engana.
Uma bela manhã de sol, e pum: ele ta fora da sua vida. Logo ele que tinha te enchido de planos, apelidos e responsabilidades. Fazer o quê?... A gente se engana. Ou muda de idéia, o que parece mais aceitável principalmente para quem não vai voltar atrás.

Aí se fecham as portas do elevador e você ganha as ruas, perde uns quilos, evita lugares, músicas, e comidas pra tentar não lembrar do que já não existe mais. "Saia da minha vida pra sempre, por favor", você pensa. E espera: "apenas seja cordial se nos encontrarmos sem querer num bar, numa noite, numa esquina, num outro equívoco da vida que nos coloque frente à frente".
E de uma hora pra outra, os bilhetes, as confissões, fotos, risadas, histórias secretas de família, tudo, vira lembrança. E agora tome coragem pra encaixotar tudo, queimar lembranças, dar aquela camiseta que lembra ele pro porteiro...
Maldita manhã de sol!

A gente se engana mesmo, engraçado.
Então você que era o centro, é posto de lado e cai no esquecimento antes mesmo de poder cicatrizar. Sarcástico isso de um dia amar. Amar e esquecer. Amar e não pensar. E agora ter que usar o nome inteiro ao telefone para poder se identificar. Em pensamento, você diz: "o que existe hoje você nem conhece, nem imagina que eu tinha decidido nunca mais beijar outra pessoa, só você, mas aí você vem e estraga tudo…"

Aí, olhando pra trás vejo que dele só herdei água tônica, jazz e sashimis. Nada mais. E a sensação de um tempo de erros. E desse jeito vamos deixando tudo passar. Porque amar alguém é engraçado. É apostar sabendo que vai perder, e nem se importar com isso. Pior é ter que nascer para outra vida num parto à forceps, mas com a memória da vida passada - quase um espiritismo amoroso, onde você paga agora o que fez de errado no passado. Lembranças de beijo, amasso gostoso, apelido guardado.
Nada tangível. Aconteceu ou eu terei imaginado?

Nelson Rodrigues tem toda a razão, "qualquer um de nós já amou errado".

As coisas precisam ter nome para existir

domingo, 13 de abril de 2008


Avenida Paulista, sexta-feira, 13horas. Trânsito parado. Fazia Sol forte, incomum para um início de outono. E eu fechada no meu carro, com o ar condicionado ligado, tendo como única preocupação não desmanchar a escova que eu tinha acabado de fazer.

Para sobreviver a tudo isso eu estava com o rádio do carro ligado, claro! O locutor começou a falar da cantora, que também é atriz, e disse que ela se mostra uma "cantora completa". Pensei: "vou prestar atenção para saber o que é uma cantora completa".
A música começou. Era um jazz.... acho que era jazz... ou um blues, daqueles bem sofridos.... Ah! Não importa o estilo da música. O que interessa é que a música me tocou de tal forma que eu senti uma dor muito profunda!... Uma dor seca, aguda, funda.... daquelas que tira o fôlego.
Fiquei fora do ar por alguns instantes e quando voltei, pensei "nossa! Por que será que eu fiquei assim?". Mas, assim, como??? Achei que era melancolia.... Seria melancolia?

Cheguei em casa e fui direto pro dicionário procurar a definição de melancolia: "sentimento de incapacidade, desgosto em relação à própria vida; abatimento; doença mental, caracterizada por uma tristeza profunda".
Não!!!!! Mas não era isso o que eu estava sentindo!!!!!
Foi como se um buraco fosse aberto no meio do meu dia. E neste buraco eu via que eu não estava onde eu deveria estar... como se faltasse algo que eu nem sei o que é.... uma saudade do que não foi...

Qual será o nome disso??? Se eu pudesse nomear o sentimento, creio que me sentiria melhor... "Ah! Só estou um pouco xuléps... hoje fiquei xuléps... mas já passou". Como num forte resfriado, que traz várias sensações ruins, mas que são facilmente compreendidas quando alguém diz que está resfriado!!!
Ou será que não é nada disso, e eu estou doente? Uma doença com diagnóstico e cura???? Talvez fosse mais fácil....